Por Redação – Ponto de Cultura e Arte Crioula
Guajará-Mirim (RO) – No ano de 2024, a cidade fronteiriça vivenciou uma das maiores emergências ambientais de sua história. Tomada por uma espessa nuvem de fumaça por vários dias consecutivos, Guajará-Mirim foi palco de uma tragédia anunciada: queimadas ilegais, estiagem extrema e ausência de controle resultaram em perdas irreparáveis ao meio ambiente e à saúde da população.
A fumaça, visível a quilômetros de distância, cobriu o município por semanas, afetando a qualidade do ar, paralisando atividades escolares e provocando um colapso nos atendimentos da rede pública de saúde. As imagens da cidade encoberta tornaram-se símbolos da fragilidade ambiental da região e da necessidade urgente de consciência coletiva e ações preventivas permanentes.
Entenda os perigos das queimadas
As queimadas — sejam criminosas ou causadas por práticas rurais imprudentes — representam uma das maiores ameaças ao equilíbrio ecológico da Amazônia. Em Guajará-Mirim, o fogo atingiu inclusive áreas de proteção, como o Parque Estadual Guajará-Mirim e a Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto.
Além da devastação da fauna e flora, a queima da vegetação libera gases e partículas tóxicas, que contaminam o ar e afetam diretamente a saúde humana.
Saúde em risco: os mais vulneráveis primeiro
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Crises respiratórias como asma, bronquite e rinite alérgica;
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Agravamento de doenças cardíacas e pulmonares;
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Maior risco de infecções em crianças e idosos;
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Reações adversas em gestantes e pessoas imunocomprometidas.
A fumaça contém material particulado fino (MP2.5), substância que penetra profundamente nos pulmões, atingindo a corrente sanguínea e provocando efeitos agudos e crônicos. Os atendimentos por causas respiratórias dobraram no Hospital Regional durante os picos da crise de 2024.
Quem mais sofre?
A exposição aos poluentes das queimadas afeta toda a população, mas os grupos mais vulneráveis são:
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Crianças – com sistema respiratório em desenvolvimento;
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Idosos – com menor capacidade pulmonar;
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Pessoas com doenças crônicas – como asma, DPOC e hipertensão;
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Trabalhadores rurais e informais – que atuam ao ar livre sem proteção adequada.
O que diz a lei?
O uso do fogo em áreas urbanas e rurais sem autorização é considerado crime ambiental, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/1998). As penalidades incluem multa, embargo de áreas e, em casos mais graves, prisão. Além disso, é dever de todos denunciar práticas ilegais aos órgãos competentes.
O que você pode fazer para evitar novas tragédias
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Não queime lixo, folhas ou restos de poda.
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Jamais use fogo como forma de limpeza ou preparo de solo.
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Denuncie focos de incêndio ou queimadas ilegais pelo telefone do Corpo de Bombeiros (193) ou da Polícia Militar Ambiental.
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Participe de ações educativas promovidas por escolas, associações, igrejas e terreiros.
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Apoie e fortaleça iniciativas locais de proteção ambiental, como os mutirões do Igarapé Folhinha e campanhas de reflorestamento.
Cuidar da natureza é proteger o sagrado
Em Guajará-Mirim, muitas comunidades reconhecem o território como sagrado. O Igarapé Folhinha, por exemplo, é espaço de oferenda, banho e celebração da ancestralidade. A destruição da natureza, portanto, é também agressão espiritual, cultural e social. O fogo que destrói o mato, também desrespeita o axé.
As queimada e crise de fumaça que ocorreu em 2024 precisa servir como marco para a mudança. O combate às queimadas depende da atuação integrada do poder público, mas também do compromisso de cada cidadão. Preservar o meio ambiente é defender a vida, a saúde, a cultura e o futuro de Guajará-Mirim.
O fogo mata. O silêncio também. Denuncie. Previna. Respeite. Participe.



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