segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Queimadas em Guajará-Mirim: um alerta à vida, à saúde e ao futuro

 Por Redação – Ponto de Cultura e Arte Crioula

Guajará-Mirim (RO) – No ano de 2024, a cidade fronteiriça vivenciou uma das maiores emergências ambientais de sua história. Tomada por uma espessa nuvem de fumaça por vários dias consecutivos, Guajará-Mirim foi palco de uma tragédia anunciada: queimadas ilegais, estiagem extrema e ausência de controle resultaram em perdas irreparáveis ao meio ambiente e à saúde da população.

A fumaça, visível a quilômetros de distância, cobriu o município por semanas, afetando a qualidade do ar, paralisando atividades escolares e provocando um colapso nos atendimentos da rede pública de saúde. As imagens da cidade encoberta tornaram-se símbolos da fragilidade ambiental da região e da necessidade urgente de consciência coletiva e ações preventivas permanentes.

Entenda os perigos das queimadas

As queimadas — sejam criminosas ou causadas por práticas rurais imprudentes — representam uma das maiores ameaças ao equilíbrio ecológico da Amazônia. Em Guajará-Mirim, o fogo atingiu inclusive áreas de proteção, como o Parque Estadual Guajará-Mirim e a Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto.

Além da devastação da fauna e flora, a queima da vegetação libera gases e partículas tóxicas, que contaminam o ar e afetam diretamente a saúde humana.

Saúde em risco: os mais vulneráveis primeiro

De acordo com nota técnica da Secretaria Municipal de Saúde, divulgada em agosto de 2024, os principais impactos da exposição à fumaça das queimadas incluem:
  • Crises respiratórias como asma, bronquite e rinite alérgica;

  • Agravamento de doenças cardíacas e pulmonares;

  • Maior risco de infecções em crianças e idosos;

  • Reações adversas em gestantes e pessoas imunocomprometidas.

A fumaça contém material particulado fino (MP2.5), substância que penetra profundamente nos pulmões, atingindo a corrente sanguínea e provocando efeitos agudos e crônicos. Os atendimentos por causas respiratórias dobraram no Hospital Regional durante os picos da crise de 2024.

Quem mais sofre?

A exposição aos poluentes das queimadas afeta toda a população, mas os grupos mais vulneráveis são:

  • Crianças – com sistema respiratório em desenvolvimento;

  • Idosos – com menor capacidade pulmonar;

  • Pessoas com doenças crônicas – como asma, DPOC e hipertensão;

  • Trabalhadores rurais e informais – que atuam ao ar livre sem proteção adequada.

O que diz a lei?

O uso do fogo em áreas urbanas e rurais sem autorização é considerado crime ambiental, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/1998). As penalidades incluem multa, embargo de áreas e, em casos mais graves, prisão. Além disso, é dever de todos denunciar práticas ilegais aos órgãos competentes.

O que você pode fazer para evitar novas tragédias

  1. Não queime lixo, folhas ou restos de poda.

  2. Jamais use fogo como forma de limpeza ou preparo de solo.

  3. Denuncie focos de incêndio ou queimadas ilegais pelo telefone do Corpo de Bombeiros (193) ou da Polícia Militar Ambiental.

  4. Participe de ações educativas promovidas por escolas, associações, igrejas e terreiros.

  5. Apoie e fortaleça iniciativas locais de proteção ambiental, como os mutirões do Igarapé Folhinha e campanhas de reflorestamento.

Cuidar da natureza é proteger o sagrado

Em Guajará-Mirim, muitas comunidades reconhecem o território como sagrado. O Igarapé Folhinha, por exemplo, é espaço de oferenda, banho e celebração da ancestralidade. A destruição da natureza, portanto, é também agressão espiritual, cultural e social. O fogo que destrói o mato, também desrespeita o axé.

As queimada e crise de fumaça que ocorreu em 2024 precisa servir como marco para a mudança. O combate às queimadas depende da atuação integrada do poder público, mas também do compromisso de cada cidadão. Preservar o meio ambiente é defender a vida, a saúde, a cultura e o futuro de Guajará-Mirim.

O fogo mata. O silêncio também. Denuncie. Previna. Respeite. Participe.

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